Milhões de doses da vacina experimental desenvolvida pela Universidade de Oxford já poderão estar disponíveis no mercado em setembro de 2020.

​De acordo com uma nota oficial emitida pelo Secretário Britânico de Saúde Matt Hancock, a Universidade de Oxford vem desenvolvendo uma vacina contra o COVID-19 que já está sendo testada em humanos desde o dia 23 de abril de 2020.

​Conforme a nota de Hancock, o projeto da vacina está sendo conduzido no Reino Unido pelo Instituto Jenner e pelo Grupo da Vacina de Oxford que esperam receber um aporte futuro de 20 milhões de Libras Esterlinas (R$ 132 milhões) oriundas de um fundo governamental.

​Incluso, Sir. Hancock salientou que o governo britânico não vai medir esforços para fornecer aos pesquisadores todo o apoio material necessário a fim de garantir aos cientistas a melhor chance de êxito nessa pesquisa crucial.

​Essa nova injeção maciça de recursos está endereçada ao fundo de testes clínicos e segundo salienta o conceituado professor Andrew Pollard, catedrático da cadeira de Imunologia e de Infecção Pediátrica na Universidade de Oxford e que também atua como investigador chefe do estudo sobre a vacina contra o COVID-19, quase todos os recursos disponibilizados pela Coroa Britânica serão destinados ao Programa de Desenvolvimento de Testes Clínicos e tal medida visa primeiro assegurar uma ampla testagem da vacina em jovens saudáveis e apenas e tão somente depois de concluída essa etapa é que se aventa uma ulterior inclusão das demais faixas etárias.  

​Segundo o Professor Régio de Medicina da Universidade de Oxford, Sir John Bell, milhares de súditos de Sua Majestade Elisabeth II serão agraciados com um lote experimental da vacina contra o COVID-19 e a expectativa daqui para frente se resume a aguardar a leitura criteriosa dos indícios científicos sobre os testes com a vacina e que a tão almejada resposta definitiva já poderá ser anunciada na segunda semana de junho de 2020.

Há apenas duas semanas, a equipe do Professor Pollard emitiu um comunicado dizendo que já está pronta para produzir milhares de doses da vacina contra o COVID-19 a partir de setembro de 2020 e que tal data anunciada pelos britânicos poderia encurtar consideravelmente a previsão inicial das autoridades sanitárias mundiais que estimam que uma vacina eficaz contra o COVID-19 estará disponível no mercado em junho de 2021.

Pesquisa clínica

No estágio inicial ou fase 1, eis que já ocorreram testes em humanos e tal etapa ainda se encontra em curso e enche os pesquisadores de esperança. Ademais, todas as medidas que possibilitam uma produção em larga escala já estão sendo tomadas ainda que sob o risco de real duma possível ineficácia, isso se os testes não comprovarem que a vacina realmente funciona.

​Diversas inciativas científicas visam a descoberta de uma possível vacina contra o COVID-19 e estão sendo desenvolvidas em diversos países. Em números aproximados, os Estados Unidos da América lideram com folga a lista dos pesquisadores com 46% das diligências em curso e são seguidos pela Europa com 18%, Ásia e Austrália com 18% e China com 18%.  

​No entanto, o deputado do Partido Conservador, Primeiro Secretário de Estado e Secretário Para Assuntos Externos do Reino Unido, Dominic Raab jogou um balde de água fria nos súditos da Coroa Britânica quando deixou bem claro que os britânicos não terão qualquer acesso preferencial a quaisquer vacinas que venham a ser desenvolvidas pelas universidades do Reino Unido. Raab acalmou os investidores internacionais quando salientou que ainda que as pesquisas duma vacina contra o COVID-19 estejam sendo realizadas em solo britânico e financiadas com os recursos dos contribuintes, deve-se, sobretudo, respeitar o acordo firmado com entidades e organismos internacionais.

​No mais, o acordo celebrado entre o Reino Unido e a OMS prevê um esforço comum com 20 nações como a França, a Itália e a Alemanha e também com organismos internacionais a fim de se encontrar uma vacina eficaz contra o COVID-19 e o compartilhamento irrestrito dos resultados. Aliás, o anúncio do acordo sobreveio apenas 24 depois do Jornal The Telegraph ter anunciado que Hancock desejava que os britânicos tivessemacesso prioritário aos primeiros lotes da futura vacina contra o COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e que tal medida seria justificada, sobretudo, levando-se em conta a grande soma de dinheiro dos contribuintes que está sendo destinada ao financiamento da pesquisa.

Um milhão de doses em setembro

​ Adrian Hill, Diretor do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, revelou ainda que a meta desse conglomerado internacional se resume a dispor de nada menos do que um milhão de doses da vacina já em setembro de 2020 tão logo os testes científicos tenham comprovado a eficácia da vacina contra o COVID-19. Hill também acrescentou que o processo será acelerado consideravelmente porque já está bem claro que o mundo está ávido por centenas de milhares de doses da vacina até dezembro de 2020. Desse modo, a oferta duma vacina eficaz contra o COVID-19 vai possibilitar a suspensão segura das medidas de isolamento impostas pela pandemia. 


ChAdOx1 nCoV-19 

​Com um nome bem estranho que mais parece uma senha criptográfica, o badalado ChAdOx1 nCoV-19 se apresenta como um produto experimental bastante promissor que está sendo desenvolvido pela competente equipe de pesquisas da Universidade de Oxford e se trata dum tipo de imunização que atua como umavacina de vetor viral recombinante. Por conseguinte, a ChAdOx1 nCoV-19 se soma a mais de sete dezenas de possíveis candidatas à vacina contra o COVID-19 em desenvolvimento pelas seletas equipes de biotecnologia espalhadas mundo afora. Aliás, a equipe de Oxford apostas as suas fichas na ChAdOx1 nCoV-19 como a tecnologia que dispõe de melhores indícios de combate ao COVID-19 porque gera uma pujante resposta imune ao patógeno a partir de uma única dose ministrada.

Uma vez indagada acerca dum avanço tão considerável num terreno tão moroso como é o processo de aprovação duma vacina, Sarah Gilbert, líder do estudo, disse que a pesquisa em andamento começou investigando um patógeno desconhecido e possível causador da pandemia que levou então o nome de Doença X e que tal expediente lhes permitiu uma rápida associação ao Covid-19 como o patógeno da Doença X.

Numa entrevista ao Jornal The Telegraph, Gilbert ainda acrescentou: No ano passado, ocorreu que a minha equipe se encontrava trabalhando com vacinas similares contra a Febre de Lassa e a MERS (um coronavírus), mas também com a Doença X. Desta feita e obviamente, não se sabia então qual tipo de patógeno poderia vir a estar associado à Doença X, mas já estávamos trabalhando com a projeção de cenários e implementando planos de contingência para o caso dele surgir e precisávamos responder a issoAdemais, o tipo específico de tecnologia que a equipe já vinha testando também acelerou o processo e a própria vacina ChAdOx se trata duma tecnologia de plataforma que pode ser usada para fabricar diversas vacinas contra muitas doenças diferentes. Enfim, deve-se considerar, sobretudo, que a minha equipe já manejava muito bem a tecnologia quando a pandemia foi decretada pela OMS e os órgãos éticos e reguladores também estão bastante familiarizados com ela e isso nos permitiu avançar mais rapidamente quando precisávamos.

Apoio de Bill Gates

​Bill Gates emitiu um apelo aos líderes mundiais para que se unam e construam uma rede mundial de fabricação e de distribuição da futura vacina contra o COVID-19 a fim de que sejam antecipados e resolvidos possíveis gargalos mortais na destinação final das doses.

​Gates ainda ressaltou que não se tem certeza acerca de quais e quantas vacinas contra o COVID-19 serão as mais eficazes até a presente data, todavia, cada uma delas demanda uma tecnologia única de fabricação e isso significa dizer que as nações precisam investir em muitos tipos diferentes de instalações de fabricação agora, sabendo-se de antemão que algumas delas jamais serão usadas. Caso contrário, pode ocorrer uma possível perda de preciosos meses entre a efetiva descoberta da imunização pelo laboratório e a plena capacidade de produção dofabricante.

Em suma, uma vez disponibilizada a vacina contra o COVID-19; decerto haverá uma demanda inicial de bilhões de doses que deverão ser entregues com certa urgência – trata-se, portanto, dum desafio sem precedentes históricos e que envolverá uma complexa logística mundial que dependerá da colaboração internacional para que tantos pedidos sejam entregues dum modo eficaz e seguro nos rincões mais recônditos do planeta.

​Dr. Richard Hatckett, Executivo-Chefe da Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), disse à equipe de reportagem do Jornal The Telegraph que a esmagadora maioria dos países membros do G20 (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina,Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul,Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia) não dispõem da capacidade de fabricação duma vacina de demanda global e nenhum deles, a bem da verdade, sabe quando e se terá.

Capacidade de produção

​Desta feita, Adrian Hill concluiu que Oxford já trabalha com a real possibilidade das doses serem produzidas em diversos polos espalhados pelo mundo como Europa, Índia e China. Hill acrescentou ainda que se a vacina for bem-sucedida, Oxford solicitará incluso a aprovação emergencial a fim de que o programa seja imediatamente implantado em escala global e que a inoculação seja feita imediatamente. Todo esse trabalho foi feito duma maneira incomum e rápida, admitiu Hill.

​No entanto, para o consagrado pesquisador Dr. William Haseltine, cientista respeitado mundialmente, ex-professor da Harvard Medical School, sumidade internacional em virologia que ficou célebre pelo HIV precoce, ocorre um baita dum oba-oba e uma grande euforia e que nem tudo são flores, isso porque um teste da vacina contra o COVID-19 não impediu que os macacos rhesus contraíssem o coronavírus e tal evento inesperado levantou sérios questionamentos acerca da eficácia da vacina em humanos e do seu desenvolvimento contínuo. De acordo com as palavras do próprio Haseltine, todos os macacos que foram previamente inoculados com a vacina de Oxford acabaram contraindo o COVID-19 quando expostos ao patógeno e a confirmação veio quando se examinaram as secreções nasaiscolhidas dos primatas infectados e se constatouque continham traços de RNA genômico. Daí se concluiu também que não houve qualquer diferença na quantidade de RNA viral detectado entre macacos imunizados e não imunizados e todos os primatas expostos ao COVID-19 acabaram contraindo a enfermidade. Haseltine detalhou toda a experiência num artigo que escreveu para a revista Forbes.

​Todavia, Hill rebateu Haseltine dizendo estava enganado e que o artigo do colega era enganador porque os primatas foram deliberadamente expostos a doses cavalares de coronavírus a fim de testar a sua segurança. Hill continuou descredenciando Haseltine quando disse que considerava o iminente Dr. William Haseltine como um virologista sênior de Harvard, aposentado há muito e possuidor de certa predileção por doenças infecciosas, mas que não é e nunca foi um desenvolvedor de vacinas. Aliás, Dr. Hill, incluso alega que houve uma superexposição dos primatas ao COVID-19, destarte, os animais foram expostos e inoculados em áreas como pulmão, nariz, boca e olhos e se usou uma dose muito alta e que o nível básico foivisivelmente excedido. Por conseguinte, Dr. Hill ainda acredita piamente que as chances de sucesso da vacina ainda estejam postas sobre a mesa.      

​Estados Unidos já comprou a primeira remessa de vacina

Dr. Hill concluiu que o governo dos Estados Unidos da América, a Coroa Britânica e muitos organismos internacionais tão bem quanto filantropos já estão pagando pela fabricação antes que os testes estejam concluídos. Trata-se dum enorme voto de confiança naquilo que estamos fazendo e que tal postura em muito nos lisonjeia.Porém, cumpre salientar, sobretudo, que os envolvidos sabem que os resultados não estão garantidos, isso quer dizer que tudo pode dar certo ou dar em nada ou ficar no meio termo entre esses dois polos.